Na quinta-feira à noite, a Strategy revelou as novas regras segundo as quais irá ou não emitir novas ações para comprar Bitcoin (BTC). O que pensar de tudo isto?
Strategy reduz emissão de ações para investimentos em Bitcoin (BTC)
Por ocasião da publicação dos seus resultados financeiros na quinta-feira, a Strategy também revelou a sua nova política em matéria de emissão de ações ordinárias utilizadas para comprar Bitcoin (BTC).
Com a sua nova lógica, a Strategy utilizará o valor do seu mNAV, um indicador cujo funcionamento explicámos em junho passado, num artigo dedicado às tesourarias Bitcoin. Em resumo, o mNAV permite relacionar o preço das ações de uma empresa com o valor dos ativos em BTC detidos em relação ao número total de ações em circulação. Neste contexto, a Strategy pretende agora agir da seguinte forma, dependendo de diferentes cenários:
- O mNAV é inferior a 2,5x: nenhuma emissão de ações, exceto para pagar juros da dívida ou dividendos de ações preferenciais;
- O mNAV está entre 2,5x e 4x: emissões pontuais de ações para comprar bitcoins;
- O mNAV é superior a 4x: emissões ativas de ações para financiar compras de bitcoins.
Atualmente, o mNAV da Strategy é de 1,78x, o que sugere uma pausa na emissão de ações ordinárias.
A partir desses anúncios, podemos também fazer várias observações.
O que chama a atenção em primeiro lugar é que a empresa assume a emissão de novas ações para pagar os juros da sua dívida ou dividendos.
De acordo com a tabela abaixo, a Strategy está endividada em 12,5 mil milhões de dólares, e as obrigações em circulação custam-lhe em média 0,421% ao ano:

Tendo em conta estes números, os juros desta dívida ascenderão a 52,63 milhões de dólares por ano. Voltaremos a abordar os resultados financeiros da Strategy em mais detalhe num artigo dedicado, mas convém já salientar que, em termos de volume de negócios, a atividade histórica da empresa no setor do software rendeu 462,4 milhões de dólares nos últimos quatro trimestres, um montante que parece muito baixo tendo em conta o peso da sua dívida.
Além disso, já salientámos várias vezes uma certa incoerência entre as críticas de Michael Saylor à impressão de moeda fiduciária e a regularidade com que a Strategy emite novas ações.
E por um bom motivo: desde 31 de dezembro de 2020, o número de ações ordinárias da Classe A da Strategy passou de 76,23 milhões para 263,91 milhões, ou seja, um múltiplo de 3,46 em menos de 5 anos:

Por outro lado, sem essas emissões de ações, a Strategy seria financeiramente incapaz de comprar tantos bitcoins, a menos que emitisse ainda mais dívidas.
Nas condições atuais, a desaceleração das compras de BTC também pode ser um dos fatores para a queda dos preços das criptomoedas nas últimas 24 horas, embora essa hipótese certamente tenha menos peso nas preocupações dos investidores do que as últimas travessuras de Donald Trump.