A eleição de Donald Trump coincidiu com um aumento do Bitcoin, mas também com o estabelecimento de laços mais estreitos com o setor das criptomoedas, a ponto de levantar dúvidas legítimas sobre possíveis conflitos de interesse. O exemplo mais recente: a estranha participação de Changpeng Zhao no desenvolvimento da stablecoin USD1.
Desde que chegou à Casa Branca, o presidente Donald Trump integrou amplamente o tema das criptomoedas nas suas decisões políticas.
Um reconhecimento que deu origem a uma verdadeira reviravolta regulatória, permitindo que as stablecoins se expandissem como nunca antes no mundo financeiro tradicional. Ao mesmo tempo, ele multiplicou projetos de criptomoedas mais ou menos duvidosos. O pior exemplo continua sendo, sem dúvida, o lançamento muito oportuno de sua memecoin TRUMP, poucos dias antes de sua posse oficial. A essa lista podemos acrescentar as suas coleções de NFT e o seu projeto de criptomoeda familiar, World Liberty Financial (WLFI).
Uma interligação aparentemente positiva para o setor das criptomoedas, se não fosse regularmente manchada por suspeitas de corrupção e abuso de informação privilegiada. O exemplo mais recente: uma aproximação considerada problemática com a plataforma Binance e seu fundador, Changpeng Zhao, no caso igualmente delicado da stablecoin USD1. Uma criptomoeda com cotação indexada ao dólar, muito bem posicionada para aproveitar ao máximo a clarificação regulatória exigida com urgência pelo presidente dos Estados Unidos.
Dados on-chain, anúncios públicos e contas de pessoas próximas ao projeto mostram que a Binance ajudou a criar o token, promovê-lo e participar da sua maior transação conhecida. Ainda é difícil saber se a Binance ou Zhao receberam algum pagamento da World Liberty em troca.
Bloomberg
Codificação de stablecoin em troca de indulto presidencial?
Na prática, a plataforma Binance teria ajudado «nos bastidores» o projeto World Liberty Financial. Uma operação destinada a redigir o código do contrato inteligente que deveria permitir a gestão da stablecoin USD1. Fontes próximas ao caso falam de uma colaboração «privada», envolvendo a participação de Changpeng Zhao. O problema? Essa colaboração não parou por aí. Na verdade, parece que esse contrato inteligente finalmente permitiu, em maio passado, liquidar uma operação de US$ 2 bilhões em stablecoins USD1, a maior já realizada com esse token.
O motivo dessa transferência envolve a compra de uma participação na plataforma Binance por uma empresa de investimentos sediada nos Emirados Árabes Unidos. Um montante que representa mais de 90% da quantidade de USD1 em circulação, ainda bem guardada na carteira da bolsa.
Exemplo típico de FUD. Tratava-se de um acordo de investimento entre um investidor e uma empresa privada de Abu Dhabi. A transação pode ser feita em qualquer moeda: bitcoin, AED, USD ou USD1. A escolha do pagador é geralmente deixada a seu critério.
Changpeng Zhao
Uma operação de negação coletiva que certamente teria funcionado melhor se o fundador da Binance não tivesse anunciado, ao mesmo tempo, sua intenção de pedir perdão presidencial… a Donald Trump, para poder reassumir funções de liderança na bolsa. Basta dizer que os elementos e a sincronicidade deste caso permitem claramente que surja uma dúvida legítima.