Nos Estados Unidos, os serviços secretos estão cada vez mais interessados em esquemas fraudulentos com criptomoedas, nomeadamente através da formação dos seus homólogos estrangeiros. O que sabemos sobre as ações levadas a cabo?
Os serviços secretos abordam de frente o tema dos esquemas fraudulentos com criptomoedas
Num relatório da Bloomberg publicado este fim de semana, é relatada a forma como os serviços secretos americanos lidam com os esquemas fraudulentos relacionados com criptomoedas. A este respeito, foi ministrada uma formação às autoridades das Bermudas no mês passado, numa altura em que o arquipélago reafirmava a sua ambição de se tornar um centro mundial de criptomoedas há agora três anos.
Entre os temas abordados, Jamie Lam, analista de investigação dos serviços secretos americanos, dá o exemplo de um caso em que a vítima foi induzida a investir numa plataforma fictícia e motivada a pedir dinheiro emprestado para maximizar os seus ganhos após um suposto lucro. Como é frequente neste tipo de fraudes, a plataforma desapareceu do radar:
É assim que eles fazem. Eles enviam a foto de um homem ou uma mulher muito bonito(a). Mas provavelmente é um homem idoso na Rússia.
Neste caso, os criminosos puderam ser identificados graças à análise on-chain e a ferramentas de código aberto. Além disso, uma falha na VPN utilizada também permitiu rastrear um endereço IP.
Em fevereiro passado, voltámos a abordar os meios utilizados para rastrear e bloquear os fundos do resgate exigido durante o sequestro de David Balland, um dos cofundadores da Ledger.
Voltando aos serviços secretos americanos, o Global Investigative Operations Center (GIOC) teria apreendido 400 milhões de dólares em ativos digitais em 10 anos, de acordo com fontes próximas ao caso.
Enquanto em 2024 os americanos terão sido defraudados em 9,3 mil milhões de dólares em criptomoedas, Andrew Murdoch, governador das Bermudas, insiste na necessidade de formação nestas tecnologias:
As tecnologias e os serviços financeiros são fantásticos para o crescimento económico, mas também podem ser explorados. Além destas vantagens, é necessário dispor de poderes de investigação sólidos para combater os abusos de direito.»
Para avaliar a eficácia destas formações, será necessário acompanhar a evolução da percentagem de fundos recuperados em casos de burlas ou roubos de criptomoedas nos próximos anos. Já hoje, as grandes empresas do setor colaboram com as forças policiais para interceptar fundos ilícitos quando transitam pelos seus serviços, como é o caso da Binance, da Coinbase ou da Tether, entre outras.