O interesse de Donald Trump pelo setor das criptomoedas assume muitas formas, por vezes inesperadas e duvidosas, como a sua vontade recentemente afirmada de querer tokenizar a partida dos habitantes de Gaza para lá implantar a sua «Riviera do Médio Oriente».
Donald Trump quer assumir o controlo de Gaza
O conflito travado por Israel contra a Faixa de Gaza está no centro das atenções. E por boas razões, as imagens dessas cidades destruídas e populações dizimadas impressionam, a ponto de terem desencadeado mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Benyamin Netanyahu e Yoav Gallant por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Uma realidade difícil diante da qual o presidente dos Estados Unidos não parece perder o seu estatuto de empresário. De facto, em fevereiro passado, ele propôs transformar esse campo de ruínas ainda fumegante — e habitado — numa luxuosa e tecnológica «Riviera do Médio Oriente».

A proposta suscitou imediatamente muitas oposições internacionais. No entanto, Donald Trump não parece ter abandonado essa opção, como demonstram as recentes revelações do Washington Post sobre um programa intitulado: Gaza Reconstitution, Economic Acceleration and Transformation Trust (GREAT Trust).
O objetivo desta operação consistiria, numa primeira fase, em colocar o território de Gaza sob a tutela exclusiva dos Estados Unidos, por um período mínimo de 10 anos, aparentemente considerado necessário para implantar um resort turístico com todo o conforto e um centro dedicado às tecnologias de ponta.
No entanto, permanece uma questão: o que será da população deste enclave?
Um programa tokenizado de partidas «voluntárias»
De acordo com dados consultados pelo Washington Post, o programa de Donald Trump implicaria a relocalização temporária de mais de 2 milhões de habitantes de Gaza. Um grupo dividido em dois campos distintos, com, de um lado, as partidas consideradas «voluntárias» para outros países e, do outro, a instalação em zonas restritas e vigiadas durante o período de reconstrução.
Para apoiar este esforço, o presidente dos Estados Unidos propõe indenizar os habitantes de Gaza que possuem terras, pagando-lhes um montante não definido de tokens – também não identificados. O objetivo? Financiar a sua expatriação ou comprar um apartamento numa das «cidades inteligentes alimentadas por IA» em projeto neste território.
De qualquer forma, cada palestiniano que decidir partir «voluntariamente» receberá a quantia de 5000 dólares em dinheiro, acompanhada de uma ajuda para o pagamento de 4 anos de renda e 1 ano de alimentação. Uma boa operação financeira, já que cada uma dessas partidas permite economizar 23 000 dólares em relação ao custo de «manutenção da vida» nas zonas de segurança temporárias. Não há informações sobre o que acontecerá com aqueles que se recusarem a partir.
Em termos de números, este programa da «Riviera do Médio Oriente» promete um retorno sobre o investimento de 4 vezes o montante inicial investido, estimado em 100 mil milhões de dólares ao longo de 10 anos. Mas ainda seria necessário ultrapassar as numerosas oposições da comunidade internacional, face à recente vontade de Israel de assumir o controlo da cidade de Gaza.