Panamá pretende adoptar o Bitcoin (BTC) e as moedas criptográficas como meio de pagamento. De facto, na quinta-feira 28 de Abril, a Assembleia Nacional do Panamá validou o projecto de lei sobre a regularização e utilização de moedas criptográficas. Se o presidente assinar o projecto de lei, este será oficialmente adoptado.
Cryptocurrencies soon approved in Panama
Depois da República Centro-Africana e de Cuba, o Panamá torna-se o último país a mostrar o seu apoio às moedas criptográficas.
De facto, esta quinta-feira, 28 de Abril, a Assembleia Nacional do Panamá validou o projecto de lei que visa regulamentar a utilização de moedas criptográficas no seu território, seja para uso privado ou público.
A lei cobre tanto a negociação como a utilização de moedas criptográficas, a emissão de títulos digitais, novos sistemas de pagamento, bem como a tokenização de metais preciosos.
Se esta legislação fosse implementada, os panamenhos poderiam utilizar moedas criptográficas como meio de pagamento para todas as suas transacções diárias, desde que cumprissem as leis do país.
Segundo Gabriel Silva, membro do Congresso da Assembleia Nacional do Panamá, este projecto não se limita a uma utilização financeira:
“A lei vai para além da mera regulação de fichas, vai além da utilização de Bitcoin como moeda com curso legal, como El Salvador conseguiu fazer com a sua medida aprovada em Setembro. “
Como tal, podemos ler na factura da moeda criptográfica:
“[…] A utilização da tecnologia de livro-razão distribuído e da cadeia de bloqueio na digitalização da identidade de pessoas singulares e colectivas no Panamá e como meio de tornar o serviço público transparente “
“.
Para ser validada, no entanto, a lei deve ser validada pelo Presidente do Panamá Laurentino Cortizo. Este último pode, nos termos da lei panamenha, decidir vetar a lei ou validá-la.
Um passo positivo para os cidadãos marginalizados
Tal como está, o projecto poderia também permitir aos cidadãos panamenses pagar os seus impostos em moedas criptográficas. Uma medida que os peritos desaprovam, para quem isto poderia reforçar a reputação do Panamá como um país sem transparência financeira.
Isto foi confirmado por Romain Dromard, director-geral da empresa de consultoria de investimento financeiro K&B Family Office:
“O Panamá já se encontrava numa má posição e estes métodos de pagamento escapam aos processos de due diligence que as organizações internacionais exigem que o Panamá adopte”.
Contudo, de acordo com vários peritos, este novo conjunto de leis poderia ajudar muito os não-bancários. De facto, o Panamá é um país onde a Internet está bem desenvolvida, mas onde apenas um quarto da população tem uma conta bancária.
Além disso, poderia também abrir uma via positiva para os bancos que até agora têm sido bastante desfavoráveis à utilização de moedas criptográficas.
Contudo, estas novas medidas precisam ainda de ser esclarecidas quanto à sua provável utilização mais ampla, especialmente para as empresas, uma vez que as moedas criptográficas, no seu conjunto, estão expostas à volatilidade do mercado
Em qualquer caso, segundo Gabriel Silva, a lei “ajudará o Panamá a tornar-se um centro de inovação e tecnologia na América Latina”