O governo francês está novamente envolvido numa crise política, na sequência do voto de confiança solicitado pelo primeiro-ministro para aprovar o seu orçamento de austeridade, rejeitado por todos. Resultado: a taxa da dívida francesa atinge o nível de 4,50%.
A taxa da dívida francesa atinge os níveis de 2009
Desde a apresentação do seu orçamento de austeridade destinado a reduzir a dívida pública, o primeiro-ministro François Bayrou encontra-se numa posição complicada. Com efeito, as suas propostas controversas destinadas a poupar 44 mil milhões de euros — nomeadamente a supressão de feriados — são criticadas até mesmo pela sua própria coligação.
Uma situação que coloca o chefe do governo numa posição delicada, com a perspetiva de uma nova crise governamental semelhante à do seu antecessor, Michel Barnier, cujo governo foi vítima de uma moção de censura aprovada em dezembro passado.
Um contexto desfavorável diante do qual o mercado da dívida pública mostra um verdadeiro sinal de alerta, com o rendimento das obrigações francesas a 30 anos a regressar ao nível de 4,50% nesta terça-feira, 2 de setembro. E por uma boa razão: em caso de instabilidade política, os mercados exigem uma taxa de juro mais elevada para emprestar à França, pois percebem um risco maior.

Por que esse limite é importante? Porque parecia pertencer ao passado desde 2009 e as consequências da crise dos subprimes, há agora 16 anos. Por isso, a França terá agora de pagar mais caro para poder contrair empréstimos a longo prazo. E a situação no mercado com vencimento a 10 anos não é realmente melhor (3,58%).
Situação idêntica para outros países
De acordo com dados publicados pelo site Reuters, a França não é a única a sofrer este aumento das taxas de empréstimo. De facto, o Reino Unido regista, por seu lado, um nível histórico que não era atingido desde 1998, na sequência da remodelação da equipa económica do primeiro-ministro Keir Starmer, imediatamente antes da implementação do orçamento de outono.
A situação é idêntica nos Estados Unidos, onde os ataques incessantes de Donald Trump ao presidente da Fed, Jerome Powell, representam uma ameaça persistente à independência dessa instituição. Resultado: os rendimentos americanos com vencimento a 30 anos voltaram a atingir os 5%.
De acordo com dados do Banco de França, os juros da dívida nacional representam atualmente um montante estimado em 55 mil milhões de euros — 9,5% do orçamento do Estado — reembolsável anualmente. Um montante que poderá atingir mais de 70 mil milhões de euros em 2027, sem sequer ter em conta o atual aumento das taxas de juro.
Este aumento dos rendimentos das obrigações francesas pode enfraquecer ainda mais o poder de compra das famílias, com a perspetiva de um aumento das taxas de crédito bancário e de uma diminuição dos investimentos das empresas. Ao mesmo tempo, isso enfraquece toda a zona euro, que já se encontra em má situação.