A EDF alerta para os efeitos da crescente modulação da energia nuclear; ao ter de abrandar ou parar certos reatores, os riscos técnicos aumentam, tal como os custos. A Bitcoin poderá ser a solução para esta sobreprodução de eletricidade e melhorar a integração das energias renováveis na rede.
A EDF alerta para os riscos do parque nuclear
À medida que se aproxima a publicação do 3.º Programa Plurianual de Energia (PPE 3), o governo enfrenta a influência de dois setores. Por um lado, os setores solar e eólico, que exigem acelerar ainda mais o seu desenvolvimento; por outro, o nuclear, que procura financiar novos reatores.
No entanto, esta situação coloca um problema: em 2025, a França já se encontrava em situação de sobreprodução, com cerca de 130 TWh de eletricidade excedentária. Esta energia é uma oportunidade quando pode ser consumida, armazenada ou exportada. Mas quando tal não é possível, as centrais são obrigadas a recorrer a uma prática arriscada: a modulação.
Com a multiplicação das centrais de energia renovável, cuja produção elétrica é instável, a EDF reduz cada vez com mais frequência a potência dos seus reatores para dar prioridade a essas centrais. Em 2024, a modulação terá atingido 29 TWh, passando para 35 TWh em 2025.

Evolução das modulações das centrais nucleares em França
O recente relatório da EDF alerta para os riscos associados à modulação das centrais nucleares; esta prática acelera o desgaste dos reatores, implica necessidades de manutenção mais frequentes e mais significativas e contribui para aumentar o custo de produção desta energia.
Como é que a mineração de Bitcoin pode tornar-se uma solução para o problema da modulação das centrais?
A mineração de Bitcoin pode desempenhar um papel fundamental graças à sua flexibilidade em termos de consumo de eletricidade. Ao contrário de uma fábrica ou de um centro de dados, uma fazenda de mineração pode aumentar, reduzir ou cortar totalmente a sua procura em poucos segundos, simplesmente desligando as suas máquinas.
Durante os picos de consumo, os mineradores podem assim «desligar-se» a pedido, libertando instantaneamente eletricidade para as famílias e a indústria. Utilizada desta forma, a mineração torna-se uma forma de reserva energética, capaz de absorver os excedentes e valorizá-los continuamente, ao mesmo tempo que gera receitas.
Esta abordagem já é aplicada em vários países, nomeadamente no Japão, no Texas ou no Butão. Atualmente, a maioria dos especialistas reconhece os benefícios da mineração, outrora criticada pelo seu consumo energético, muitas vezes mal compreendido.
Utilizar a mineração de Bitcoin para consumir os excedentes apresenta uma dupla vantagem: valorizar uma energia que de outra forma se perderia, mas também limitar o desgaste prematuro dos reatores. Isto permite reduzir os custos de manutenção, com uma consequente redução da fatura de eletricidade dos particulares.