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Queda do Bitcoin: Será que é altura de investir em criptomoedas?

by Patricia

Entre 29 e 30 de janeiro, o preço do Bitcoin caiu acentuadamente para abaixo dos 82 000 dólares, arrastando consigo todo o mercado de criptomoedas. Mas será que, por isso, devemos afastar-nos das criptomoedas? Ou, pelo contrário, será precisamente nestes momentos de incerteza que pode fazer sentido investir no Bitcoin, especialmente se adotarmos uma visão a longo prazo?

Uma nova fase de correção para as criptomoedas

Após vários meses em que o Bitcoin se manteve num intervalo em torno dos 90 000 dólares, o mercado das criptomoedas atravessa atualmente uma fase de correção acentuada. De facto, neste final de janeiro de 2026, o preço do Bitcoin situa-se ligeiramente acima do limiar dos 80 000 dólares.

Resultado: em 7 dias, o preço do Bitcoin caiu quase 8,4 %, provocando quedas ainda mais acentuadas nas outras criptomoedas no mesmo período:

  • Ethereum (ETH): – 8,7 %;
  • BNB: – 6 %;
  • XRP: – 8,4 %;
  • Solana (SOL): – 11,5 %;
  • Cardano (ADA): – 10,2 %.

Neste clima de incerteza, muitos cedem ao pânico e vendem as suas criptomoedas. No entanto, é frequentemente nestes momentos de dúvida que surgem as oportunidades mais interessantes.

Investir quando toda a gente vende: uma oportunidade?

Como recorda a famosa citação do investidor Warren Buffett: «Sê cauteloso quando os outros estão gananciosos. Seja ganancioso quando os outros estão com medo». Isto significa que os períodos de quedas significativas, como o que se verificou no final de janeiro de 2026, não devem ser vistos como momentos dos quais se deve fugir, mas sim como períodos estratégicos para entrar no mercado ou reforçar as suas posições, desde que, claro, se tenha uma estratégia clara e uma visão a longo prazo.

Pois este é um erro frequente: muitos compram Bitcoin quando o seu preço dispara, atraídos pelas histórias de ganhos rápidos divulgadas pelos meios de comunicação social e pelos influenciadores.

Mas, nesta fase, a maior parte da subida já ficou para trás. Por outro lado, poucos investidores se atrevem a comprar nas fases em que o preço do Bitcoin recua fortemente, mesmo quando esses momentos oferecem frequentemente os melhores pontos de entrada.

Para compreender melhor os movimentos atuais do Bitcoin, é essencial enquadrar esta descida numa perspetiva mais ampla: a dos ciclos de mercado. Tal como todos os ativos financeiros, o Bitcoin evolui por fases sucessivas, que se repetem ao longo do tempo.

Eis as principais etapas teóricas de um ciclo do Bitcoin:

  • S1 – Acumulação: o mercado está calmo, os preços estão baixos. Alguns investidores começam a comprar BTC antecipando uma recuperação
  • S2 – Progressão: a tendência torna-se ascendente, o entusiasmo aumenta progressivamente, o preço do Bitcoin sobe
  • S3 – Sobreaquecimento: a euforia domina, o Bitcoin dispara para cima e muitos compram… no pico
  • S4 – Correção / Consolidação: o mercado inverte a tendência, alguns investidores realizam lucros. É frequentemente nesta fase que as oportunidades reaparecem para quem tem uma visão de longo prazo
Gráfico que representa, em teoria, o ciclo de vida de um ativo financeiro

Gráfico que representa, em teoria, o ciclo de vida de um ativo financeiro

Atualmente, o Bitcoin parece estar precisamente numa fase de correção. A queda dos preços observada nos últimos dias, embora impressionante, não é, portanto, excecional. Insere-se num padrão recorrente, em que as recuos temporários do BTC podem oferecer oportunidades interessantes para quem sabe manter uma perspetiva de longo prazo.

A queda pode continuar…
Embora este artigo destaque o potencial das fases de correção, isso não significa que se deva investir no Bitcoin sem reflexão. O mercado das criptomoedas continua, por natureza, volátil, e ninguém pode garantir a evolução futura do Bitcoin. Não se trata de um sinal para «comprar agora», mas sim de um apelo a observar o mercado com distanciamento.

Dito isto, para quem deseja tirar partido desta fase de recuo de forma metódica, alguns princípios podem revelar-se úteis:

  • Colocar ordens em níveis estratégicos: em períodos de forte volatilidade, os «flash crashes» podem fazer cair brevemente os preços das criptomoedas na sequência de liquidações em cadeia. As ordens colocadas antecipadamente, bem abaixo dos preços atuais, podem assim ser executadas automaticamente se a oportunidade surgir
  • Concentrar-se nos fundamentos: em períodos de correção, é preferível dar prioridade ao Bitcoin, mais robusto, em vez de altcoins, por vezes mais frágeis. A menos que tenha uma forte convicção sobre uma criptomoeda que considere subvalorizada, a prudência continua a ser aconselhável
  • Pensar a longo prazo e em narrativas sustentáveis: para além da volatilidade a curto prazo, tente identificar as grandes tendências suscetíveis de impulsionar o mercado nos próximos anos e as suas criptomoedas emblemáticas (IA, DeFi, RWA, etc.)

Não há pressa: o importante é construir uma estratégia coerente, adaptada ao seu perfil de investidor e aos seus objetivos, sem ceder ao pânico nem à euforia. O mercado das criptomoedas não está morto e provavelmente voltará a subir – a única questão é em que posição estará quando isso acontecer.

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